Isso porque não tou contando a demolição total como PARTE da obra, já que é algo que me deixou muito nervosa e nem gosto de lembrar, afinal não estava acostumada a essa história de DERRUBAR casas até não sobrar nadica de nada.
Voltando à sexta e ao primeiro grande momento: recebemos a primeira carga do que eu e Ali chamamos carinhosamente de HORMIGÃO, abrasileirando a palavra hormigón, que em espanhol quer dizer CONCRETO.
Hormigão chegou todo atrasado. Tava todo mundo esperando por ele desde de manhã cedinho (obra começa muito cedo, para o terror dos vizinhos) e nada. O carinha da empresa já nem atendia minhas ligações (eu virei a compulsiva do REDIAL). Só foi chegar lá pelas quatro da tarde, ainda por cima, num caminhão que mal cabia na rua e ainda fazia um barulho louco enquanto rodava aquele treco que vem em cima, sabe?
Bem, taí uma foto do Camión do Hormigón.

Pra vocês entenderem direitinho, o passo-a-passo é assim: depois de ter o terreno por assim dizer...limpo, o pessoal teve que cavar uns buracões gigantes e profundos e dentro deles, armar uma estrutura de vigas metálicas e depois cobrir isso tudo de Hormigão e depois uma camada de terra e depois começar a subir as colunas.

Simples né? Isso tudo levou um mês.
Em determinado momento, os buracos começaram a alcançar o LENÇOL FREÁTICO do terreno e viraram um piscinão. A gente já sabia que isso ia acontecer, afinal, o bairro é uma espécie de Aterro, construído em cima do que era o Arroyo Maldonado, um riachinho da época que Buenos Aires era uma fazendinha. E, logicamente, fizemos um Estudo do Solo com um geólogo e etc etc.
Bem, aí foi um tal de alugar bomba, e a bomba que quebrava e que tinha que trocar e a rua que molhava toda, e o vizinho que reclamava e um monte de coisa que até já apaguei da minha cabecinha pra não ficar ocupando muito espaço. Mas, ufa, deu tudo certo. Hormigão chegou, preencheu os poços e já tá até sequinho.

Agora tem que cavar mais uns dois buracos. É porque não dá pra fazer tudo ao mesmo tempo por uma questão de logística (!) e quinta agora vem Hormigão outra vez. Olha a cara de Ali, feliz proprietário de... uma obra, no momento!

Dizem que dá sorte, nessa etapa, jogar uma moeda no primeiro poço que vai receber o concreto. A gente ia jogar uma de um peso, mas, só pra garantir, nesse momento de crise, catamos aqui em casa toda a variedade possível de moeda e jogamos um dólar, um euro, uma libra, um real, um sol peruano, um peso chileno, um yen japonês e uma ação da Petrobrás. ahahahaha!Chique né? Tá aí a prova.